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  • Dr. Eduardo Quirino dos Santos

Cálculo urinário: uma pedra no caminho


Apesar de silenciosos na grande maioria das vezes, os cálculos das vias urinárias (rins, ureteres e bexiga), quando obstrutivos, causam uma dor em cólica de forte intensidade, considerada por muitos pior que as dores de parto. Geralmente, os sintomas passam despercebidos até a primeira cólica forte, que tem origem nas costas e irradia para o abdômen, podendo ser acompanhada de alterações urinárias, tais como: sangue na urina, dor ao urinar, aumento da frequência urinária, dentre outras.


Estima-se que, aproximadamente, 10% da população apresentará pelo menos um episódio de cálculo ao longo da vida, sendo que essa incidência vem aumentando nos últimos anos. Os cálculos renais são mais prevalentes no sexo masculino e ocorrem mais comumente após a terceira década de vida.


Devido a essa crescente incidência, a sua prevenção se torna uma medida necessária, com mudanças nos hábitos de vida e correção de distúrbios metabólicos quando presentes. O aumento da ingesta de água, a diminuição do consumo de sódio, o consumo de frutas e vegetais, e o controle da obesidade, são algumas medidas simples que podem prevenir os cálculos renais.


A grande maioria dos cálculos urinários são pequenos e não necessitam de intervenção cirúrgica, sendo passiveis de eliminação espontânea. Medidas auxiliares permitem uma maior taxa de eliminação e maior controle da dor durante o processo.


Cálculos maiores, associados à infecção ou ainda causando dor refratária, necessitam de tratamento cirúrgico e devem ser abordados precocemente, com o intuito de diminuir o dano à função renal e prevenir complicações.


Graças ao desenvolvimento tecnológico da medicina, hoje podemos contar com procedimentos minimamente invasivos, com baixa morbidade e alta eficácia no tratamento de cálculos urinários, permitindo uma recuperação mais rápida, menor tempo de internamento e menos dor no pós operatório.


O melhor tratamento para cada caso dependerá do tamanho e da localização do cálculo, bem como do quadro clínico do paciente.


A litotripsia extracorpórea (LECO) é um método que visa a fragmentação do cálculo urinário através de ondas de choque, sem a necessidade de cirurgia ou internamento hospitalar.


A ureterorrenolitotripsia, semirrígida ou flexível, é técnicas de cirurgia endoscópica para fragmentação e retirada de cálculos urinários. O acesso nessas técnicas é através do canal urinário (uretra), permitindo tratamento sem necessidade de incisões. O advento da utilização de fibras de LASER para fragmentação dos cálculos deu maior versatilidade e eficácia à essas técnicas.


Em cálculos maiores localizados no rim, a nefrolitotripsia percutânea se torna o procedimento de escolha. Nesse tipo de abordagem, se obtêm o acesso direto ao rim através de uma pequena incisão na região lombar.

A cirurgia laparoscópica é uma opção para casos selecionados. O tratamento de cálculos ureterais de grande volume e com difícil acesso por técnicas endoscópicas é um exemplo.


Dessa forma, devemos ressaltar a importância do acompanhamento com urologista e de um hábito de vida saudável para prevenção dos cálculos urinários. Quando indicado, o tratamento deve ser realizado como forma de proteger a função renal e evitar complicações posteriores.

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